Acolhida
Acolher é algo que vai muito além do que os dicionários
definem. Acolher implica em escutar, compreender, dialogar, amparar,
dar crédito e tantos outros atributos. Mas, para que a
acolhida seja verdadeira, é imprescindível que não
se tenha espaços abertos para a exclusão.
Muitos que chegam a uma comunidade pela primeira vez, para realizar
um trabalho voluntário ou remunerado, encontram as famosas
panelinhas já formadas, que, ao invés
da acolhida, marginalizam os recém-chegados.
Por uma questão de cultura, onde o ter passou
a frente do ser, não se tem dado, hoje em dia,
o devido valor àqueles e aquelas que chegam para trabalhar,
sem preconceitos e sem esperar nada em troca. Isto ocorre, até
mesmo nas congregações religiosas, onde pessoas de
destaque não admitem ou aceitam que outras pessoas
ingressem, mesmo que tenham potencial para colaborar. As pessoas
esquecem ou não sabem que o serviço não é
competitivo, mas interativo, e que a união faz a força!
É muito comum, em muitas comunidades, notarmos a indiferença
quando algum participante se ausenta do grupo. Mesmo sem procurar
saber os verdadeiros motivos do afastamento, a pessoa é julgada
ou excluída, sem direito a defesa porque normalmente nem
sabe que está sendo julgada. Tudo seria tão simples
se houvesse um diálogo amigo... uma acolhida!
Por quê não se busca saber o verdadeiro motivo das
faltas ou afastamento de algum membro da comunidade? Alguém
se interessa em saber o que aconteceu?
Talvez seja mais cômodo alegar que cada um sabe de
si. Se saiu do grupo é porque não havia mais
interesse. Pelo comodismo, julgar é mais fácil do
que investigar as causas de um problema para dar uma solução
concreta. A acolhida não pode, portanto, conviver com o comodismo!
É uma pena que a acolhida, tão bem definida nos dicionários,
seja tão esquecida no dia a dia, onde deveria ser vivida!
A exemplo de Jesus, vamos refletir sobre a Sua acolhida a todos
aqueles e aquelas que O procuravam. Visitou a casa de Nicodemos,
que subiu numa árvore para vê-Lo. Salvou a mulher adúltera
do apedrejamento, defendendo-a: Quem não tiver pecado
que atire a primeira pedra. Conversou longamente com a Samaritana,
curou cegos, coxos, surdos, foi de casa em casa. Ensinou a Verdade
do Reino, mas parece que até hoje o mundo ainda não
aprendeu!
O egoísmo, a inveja, o individualismo e tantas outras atitudes
negativas, não nos deixam acolher o irmão, a irmã.
Resta-nos romper esses grilhões, praticando o amor ao próximo,
à semelhança de Jesus que nos amou por primeiro. Afinal
a seara é grande e os obreiros são poucos! O Reino
de Deus é daqueles e daquelas que chegam para Servir ao Senhor!
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